Polêmica: Youtuber Taty Ferreira

A polêmica desta quinta-feira (3) na internet é que a youtuber Taty Ferreira, do canal "Acidez Feminina", disse em seu Facebook que era "embaixadora da mudança na ONU em questões de Igualdade de gênero". O problema é que a moça é conhecida por frases que não pregam muito a igualdade de gênero. A ONU Mulheres Brasil, entidade das Nações Unidas para a igualdade de gênero, logo desmentiu a informação.

Na quarta-feira (2), o blog brasileiro do Google --dona do Youtube-- confirmou que Taty faz parte de uma das duas novas iniciativas da plataforma de vídeos para marcar o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março. Seria uma "nova parceria de um ano com as Nações Unidas que vai apontar grandes YouTubers como as primeiras Embaixadoras da Mudança para a campanha de Ações de Desenvolvimento Sustentável da ONU".

"Por isso estão tão animados com essa parceria com a ONU e em anunciar que Ingrid Nilsen, Jackie Aina, Yuya, Taty Ferreira, Hayla Ghazal, Louise Pentland, e Chika Yoshida serão Embaixadoras da Mudança -- o primeiro grupo de mulheres do YouTube a se juntar às Nações Unidas na luta pela igualdade de gênero, como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU", continua o post. Taty é a única brasileira do grupo.

No entanto, a ONU Mulheres Brasil, que representa a ONU nesta temática, emitiu comunicado desmentindo Taty e o Google Brasil.

"Taty Ferreira é uma das Embaixadoras da Mudança do Youtube (Youtube Change Ambassadors), empresa que está apoiando as Nações Unidas na divulgação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, dentre os quais está a igualdade de gênero como um dos objetivos globais. Contudo, não existe vinculação entre as Embaixadoras do Youtube com as Nações Unidas, sendo indevida qualquer associação deste grupo ao quadro de Embaixadoras e Embaixadores da ONU", diz o texto.

Além disso, a entidade reiterou que a "participação eventual em projetos de comunicação das Nações Unidas não permite que as pessoas integrantes deste projeto possam ser classificadas como Embaixadoras das Nações Unidas". E que a única embaixadora da ONU Mulheres é a atriz Camila Pitanga. Outra apoiadora oficial da entidade é a a atriz Juliana Paes, no cargo de Defensora para a Prevenção e Eliminação da Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres Brasil.

O Google Brasil reiterou sua posição com um comunicado de Kristin Gutekunst, gerente de projetos e de comunicação das campanhas das Nações Unidas. Ela, por sua vez, encaminhou uma citação de Mitchell Toomey, diretor da campanha, que confirma Taty como Embaixadora da Mudança --um cargo que difere de embaixadora da ONU.

"A Campanha de Ações da ONU está animada em colaborar com o YouTube e criadores influentes do YouTube como Taty na esperança de chegar a novos públicos e inspirando a consciência e ações sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ao longo do ano, estes novos embaixadores trabalharão conosco para aprender sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e desenvolver novas formas de utilizar a sua influência para causar impacto sobre estas questões".

Procurada, Taty Ferreira ainda não emitiu resposta até a publicação desta reportagem.
"Eu não acredito nos direitos iguais"

Além da suposta associação com a ONU, internautas criticaram a escolha de Taty para um cargo de representatividade sobre o feminismo. Em seu canal, ela já se postou abertamente contra lutas de gênero.

Em um vídeo de 2010, disse: "Hoje eu vou começar sendo franca: eu não sou feminista. Acho que já deu para perceber, né? Mas também não sou idônea o bastante para falar para vocês que sou machista. Mas uma coisa é certa: eu não acredito nos direitos iguais. Eu sinceramente acredito que essa coisa de queimar sutiã, bater em panela e abandonar o espartilho não passou de uma grande utopia que virou uma grande hipocrisia".

Em 2012, Taty lançou outro vídeo que afirma: "O dinheiro é um fator determinante para uma mulher escolher um cara. Assim como bunda é um fator determinante para um cara escolher uma mulher.

Em 2014, disse ainda que não crê na existência de homens que obriguem a mulher a não trabalhar. "Um cara querer que a mulher fique só em casa cuidando dos filhos e sendo uma dondoca, isso não existe mais não. Pelo menos não aqui onde eu vivo. Talvez em Vênus".
A segunda iniciativa do Google/Youtube envolvendo o Dia Internacional da Mulher será a transmissão de uma série de encontros voltados ao tema no YouTube Spaces, espaços de debate da plataforma nas cidades de Los Angeles, Londres, Tóquio, New York, São Paulo e Berlim.

Youtubers mulheres realizaram workshops e gravações que renderam mais de 50 vídeos. Julia Tolezano, do canal "JoutJout Prazer", será a representante brasileira da ação. As demais serão Anna Akana (EUA), Alexys Fleming (EUA), Em Ford (Reino Unido), Nilam Farooq (Alemanha) e Kuma Miki (Japão); todas elas atuaram como diretoras criativas em seus respectivos Spaces.


Fonte: uol

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