Dados em alta exigem soluções sustentáveis

O crescente volume de dados acumulados no mundo virtual também pode afetar o meio ambiente.


Desde sua criação em 2004, o Facebook acumula mais de 77 bilhões de postagens com localização de seus usuários, 400 bilhões de fotos compartilhadas e 54 milhões de páginas. Já o Twitter, desde a sua fundação em 2006, já alcançou mais de 300 bilhões de mensagens compartilhadas e hoje atinge a marca de 500 milhões de postagens publicadas por dia. Os números dizem respeito apenas a duas das mais populares redes sociais da atualidade, mas já dão ideia do enorme conteúdo que é gerado na internet a cada dia e que é armazenado em algum servidor, em algum lugar do planeta. Tudo isso fica disponível na chamada "nuvem", servidores de internet cujo conteúdo fica a serviço do usuário 24 horas por dia, nos 365 dias do ano.
A perspectiva é de que as empresas vão precisar cada vez mais de servidores para dar conta da crescente geração e consumo de conteúdo, já que os 2,5 bilhões de usuários da internet estimados para este ano devem chegar a totalizar 3,6 bilhões em 2017.
Com toda essa demanda, se a "nuvem" fosse um país, hoje seria o quinto em consumo de energia, sendo superada apenas por China, Estados Unidos, Rússia e Índia. Os data centers consomem hoje 2% da energia do mundo. No futuro, se nada mudar, chegarão a 30%. "Esse caminho não é sustentável", alerta Claudio Raupp, vice-presidente de computação pessoal e impressão da HP no Brasil. O executivo, palestrante do HP World Tour, evento que a companhia realizou em São Paulo na semana passada, chamou a atenção para a necessidade de se rever a infraestrutura de tecnologia da informação (TI).
"Hoje vivemos um grande ponto de inflexão na indústria que traz desafios e demandas nunca vistos", afirmou. De acordo com Raupp, em 2016, 75% do ambiente de TI estará implementado na nuvem e os data centers terão de se adaptar em um caminho mais sustentável.
O esforço das empresas de tecnologia que lidam com a questão se concentra em criar novas soluções para aumentar o poder computacional dos equipamentos e soluções de software para maximizar o uso da infraestrutura. A busca é crescente pela eficiência computacional, visando à redução do consumo de energia no ambiente dos data centers.
Solução compacta
Puxando o negócio para o seu lado, o executivo da HP apresentou como uma das soluções o seu servidor Moonshot. Segundo a companhia, esta máquina compacta - uma arquitetura básica composta por processador, memória e dispositivo de armazenamento -, além de economizar 80% do espaço, tem consumo de energia 89% menor do que os servidores convencionais.
Conforme explicou Raupp, 90% da energia nos sistemas é gasta na transferência de dados, usualmente tendo o cobre como meio de transmissão. Ele destacou que a nova tecnologia utilizada no Moonshot, denominada Photonics, utiliza a luz através de fibra ótica ao invés de elétrons através do cobre. Assim, o equipamento consegue uma transmissão de dados de até 6 terabits por segundo (Tbps). É como transmitir um vídeo em alta definição de quatro dias em apenas alguns segundos.
Raupp citou como caso de sucesso no uso do Moonshot o exemplo da própria HP. Mesmo com a crescente demanda natural, nos últimos anos a companhia reduziu seu número de data centers de 85 para seis. E ainda deve reduzir para quatro. "Agora, a chance de aumentar o número de data centers é zero", afirma o executivo.
O site HP.Com, que recebe 300 milhões de acessos por dia, utilizava dez racks. Hoje, roda em servidor Moonshot em meio rack - resultando numa redução de 95% no espaço.

Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/suplementos/tecno/dados-em-alta-exigem-solucoes-sustentaveis-1.1003861

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